Nos olhos dele eu vejo o futuro que não posso ter.
Ele passa as mãos por mim com a companhia de seus olhos enquanto eu, deitada, penso o pouco que mereço comparado ao tanto que ele quer me dar.
Na manhã seguinte ele estaria com as pernas cruzadas nas minhas, contando quantos beijos ainda faltam para estarmos satisfeitos.
Nós conseguimos conversar sobre como as estrelas surgiram, como o mundo será. Os olhos dele refletem anos passados que eu não estava para ver
Nossos encontros são demorados e ele tem a sinceridade de amar demais e perder demais. Nós dançamos e eu me sinto a única.
Em seus olhos vejo o fogo do mundo que tento evitar todos os dias.
Ele me olha e vejo o reflexo do seu dia passando várias vezes em sua cabeça, como se cada gesto em mim fossem uma forma de protesto silencioso ao mundo.
Na manhã seguinte eu olharia para o lado e sentiria a cama vazia. Nosso acordo são pequenas noites e grandes espetáculos.
Ele tem uma mente jovem demais e um corpo jovem demais. Discutimos sempre que nos falamos. Entre nós fica apenas a tensão de dois olhares que querem algo a mais...
Nossos encontros são rápidos. Ele tem passadas controladas que me deixam incontrolável e o desejo é o sentimento dominante de um olhar sem passado e que ainda não se preocupa com o futuro.
 Nesse meio, eu vejo o contraste do que é de menos e do que é demais. Eu estou no meio. Sou o equilíbrio entre tantas diferenças. Não quero nenhum para sempre. Nem que quisesse. Descobri recentemente que radicalismos não fazem bem ao que eu tenho como alma. 


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