Você não cansa?
Não cansa dos problemas pequenos e, ainda assim, intermináveis?
Não cansa de promessas que você mesmo não vai cumprir? 
Eu me canso fácil dessas coisas mundanas...
São só 20 anos com decepções e nós já sabemos quem somos e como queremos viver.
Ainda assim me sinto com 10 anos, dividida entre brigas que não são minhas
Doída por coisas que não me deveriam doer...
Eu só queria chorar até minhas lágrimas alcançarem a quantidade de ml's suficientes 
para me afogar...
Preferia estar me afogando. 


Algo interessante para as pessoas que não sabem isso sobre a vida: ela é feita de ilusões.


 Não há um ser humano no mundo que não se iluda ao menos uma vez na vida. Ilusões são aqueles momentos que estamos vendo um filme, uma novela ou até um jogo de futebol e nos esquecemos quem somos, onde estamos e o que está acontecendo ao nosso redor. Quando mais precisamos sumir do mundo, aquelas pequenas coisas estão ali para te dar um pouco da paz que não lhe é concedida no cotidiano.
 Dito isso, posso começar a narrar uma pequena estória.
 O nome dele era Leres. O conheci em um desses pequenos bares no centro da cidade, nos comuns mesmo que vemos em todas as esquinas.
Em dias como aquele, depois de gritos e mais gritos no trabalho, o melhor a se fazer era tomar um wisky barato e rezar para ter uma dor de cabeça forte o suficiente para te desconcentrar dos seus problemas. Aquela noite Leres me salvou.
 Ele se sentou na minha mesa como se me conhecesse e foi pedindo doses de wisky para nós dois, porém sem falar comigo. Só pedindo.
 Engraçado como nossa cabeça é cheia de ideias estranhas. Comecei a analisar a postura do rapaz, o jeito que gesticulava, que pedia a bebida e até que acendia seu cigarro. Conclui que tinha uns trinta e poucos anos, era um pouco esnobe e não falava muito porque bem... ele ainda não tinha falado nada.
 Ele enfim pediu a conta e, assim que entregou o dinheiro virou para mim e disse:
- Olá, gostaria de andar comigo?
 Eu arqueei a sobrancelha e ri.
- Certo. Eu tenho spray de pimenta. Só avisando.
Ele abriu um sorriso de canto e levantou-se,me esperando. Tomei minha dose de wisky e fui com ele.
 Caminhamos algumas quadras sem falar absolutamente nada.
- Sabe porque está andando comigo?
- Não - falei, olhando para as estrelas.
- Porque está curiosa para saber quem eu sou.
O olhei com um arquear de sobrancelhas.
- Sim, eu sei que é óbvio. - falou ele, sorrindo - Hoje serei o que você quiser. Me fale de você.
 Apesar de considerar uma atitude estranha, comecei a falar o que eu gostava, as coisas que eu pensava e o que escrevia, o que já passei e todas essas baboseiras que não interessavam a ninguém, mas que por algum motivo parecia tudo bem compartilhar com aquele desconhecido.
 Tentei evitar falar onde eu moro, onde eu trabalho e afins, afinal de contas eu não fazia a mínima de com quem eu estava falando.
 Após algumas quadras eu parei de falar.
- E agora?
 Ele abriu outro sorriso e extendeu a mão.
- Prazer, sou Leres.
 Dei a mão para ele e sorri.
 Ele começou a falar de como achava as estrelas interessantes. Começou a contar historias de seu tempo de escola e de como adorava jogar futebol. Contou piadas e me fez rir e me mostrou fotografias que tinha em sua carteira.
 Leres contou que viajou uma vez para o Peru e deitou com uma mulher casada porque se não ele não teria o que comer. Depois disso ela deu uma semana de almoço e janta para ele, além de bebidas ilimitadas.
 Leres me contava coisas que eu nunca pensei que fosse ouvir de alguém. Ele parecia o homem perfeito e depois de contos quase infinitos ele me levou ao seu apartamento.
 Enquanto o anfitrião ia ao banheiro eu avaliei o lugar. As paredes eram azuis e tinha um pouco de tudo desenhado nelas. Era como se ele não soubesse do que gostar ou o que fazer, ou simplesmente que fazia tudo ao mesmo tempo. De cartões postais a instruções de como preparar um banquete adequado, as paredes gritavam informações das mais belas as mais pesadas.
 Aquela noite nos deitamos e, honestamente, posso dizer que muitas pessoas não irão presenciar um sentimento tão bom quanto a sensação os nossos se colarem e, logo após, a decadência pelo afastamento de sua respiração da minha nuca.
 Depois daquela noite fui para casa, deitei-me, liguei para o trabalho dando qualquer desculpa idiota e dormi o melhor sono de todos. Havia me esquecido de todo e qualquer problema que arranjei durante aquele mês inteiro.
 Passei o resto da semana tão ocupada com o trabalho que não tive tempo de fazer nada. Pensei nele algumas vezes, mas apesar da grande noite e conversas, não mantivemos contato.Quando finalmente tive um tempo, voltei no bar, mas ao chegar lá e perguntar de Leres o garçom não sabia de quem se tratava.
- Ele estava comigo da ultima vez que vim. Foi semana passada.
 O rapaz abriu um sorriso.
- Aquele é o que chamamos de 'vendedor de ilusões'. Ele vem aqui algumas vezes e parece uma partida de futebol. Faz a alegria da pessoa durante noventa minutos e some, sem acréscimos.
 E foi naquele dia e por causa daquele personagem que eu descobri o que significava ser iludido por alguém.
Ele se transformou em quem eu queria que ele fosse... E eu não vou mentir, gostei muito. As ilusões são coisas tão bonitas. Ele era apenas uma válvula de escape em forma de homem. Apesar de entender, fiquei intrigada.
Ao deitar-me na cama aquela noite comecei a pensar porque alguém conheceria tantas pessoas e viveria tantas vidas apenas como passagem. Me perguntei se um dia ele se apaixonou, quais eram os seus sonhos reais, quem realmente era a pessoa com quem eu estive...
 Queria vê-lo uma vez mais para tirar minhas dúvidas.
Após algumas noites em claro imaginando as motivações dele, comecei a pensar em quais benefícios uma vida assim poderia te trazer... Tentei olhar pelos olhos dele e conclui que era a válvula de escape perfeita. Se passar, todas as noites, por uma pessoa diferente. E todos os dias imaginava como ele se sentia sozinho... mas sei que a solidão de um vendedor de ilusões deve ser algo mais tranquilo que a minha. Ele todas as noites é o porto seguro de alguém, enquanto eu sou apenas o meu fundo do poço.


Olá, meu nome é Geovanna e eu sou uma das novas autoras do Maus Hábitos!
Hoje fiz uma resenha para vocês sobre um filme que assisti recentemente e queria compartilhar essa resenha, espero que gostem! O Filme baby driver, que foi traduzido para o português com o nome de “em ritmo de fuga”, começa com Baby - que é encenado pelo ator Ansel Elgort - sentado em um carro vermelho e ouvindo música no fone de ouvido.

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Sinopse: O jovem Baby (Ansel Elgort) tem uma mania curiosa: precisa ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Excelente motorista, ele é o piloto de fuga oficial dos assaltos de Doc (Kevin Spacey), mas não vê a hora de deixar o cargo, principalmente depois que se vê apaixonado pela garçonete Debora (Lily James)

Ele está usando óculos escuros se encontra aparentemente relaxado. Segundos depois dessa apresentação que temos de Baby entram três pessoas em cena: eles estavam em um assalto e Baby tem como função nesse trabalho correr! Baby é o motorista dessa fuga, que trás como som que te embala e te faz se fixar a música “bellbottoms”, que faz com que a trama fique curiosa e atraente. O personagem de Ansel tem um super plano de fuga e consegue fugir de policiais.


O filme te faz vidrar em Baby, porque além de Ansel ser um menino fisicamente atraente ele, é uma boa pessoa. Baby deve serviços a uma pessoa que se julga chefe dele e o ameaça caso ele não cumpra com seu trabalho. Rápido e habilidoso o protagonista é totalmente ligado em assunto da atualidade, tem como hobbie produzir músicas e sons tanto no teclado como no gravador.
Vindo de uma família conturbada, Baby viu seus pais morrerem em um acidente de carro. Ele tem uma grande herança artística de sua mãe que fez com que baby tivesse um caminho predestinado, criado com seu pai adotivo que é mudo ele cuida e diverte a todo o momento, demonstrando sempre várias preocupações pelo homem.
Baby também se apaixona por Débora (Lily James), mas acaba se envolvendo em problemas maiores, chantageado mais uma vez para um novo trabalho. Ele, que planejava fugir da cidade com Débora, não consegue ir ao encontro marcado, o que o leva a um novo assalto onde as coisas dão errado em mais uma cena de fuga. Quando tudo parece ficar bem Baby e Débora são pegos e ele se rende, indo ao tribunal onde é julgado e tem vários depoimentos a seu favor. Ele pega 5 anos de prisão onde ele a todo momento ajuda e mantém bom comportamento, Baby felizmente sai e tem sua vida feliz com Débora.
O que te faz se sentir uma identificação com o filme é o fato de que, apesar de ele ter uma ótima trilha sonora te faz lembrar de como é bom estar apaixonado, aquele sentimento de primeiro amor que te envolve e te faz também sentir vontade de fugir , sem se preocupar, apenas dirigir pela estrada em busca da liberdade e ouvindo um bom som.
O cuidado que ele tem com seu pai adotivo de deixa-lo em um lugar seguro antes de ir embora e o desejo de liberdade que todos nós temos em nossos corações mas muitas vezes temos medo de alcança-la . É um ótimo filme para quem deseja sonhar um pouco com uma fuga e viver um grande amor.

(por Geovanna Galvão)


                                               (Ephemeral Silhouette III by Moonassi)

*Ouvindo Life in A Glasshouse ( Radiohead)
 Sozinho ele podia ouvir os aplausos da platéia. Se imaginou no palco lendo seu roteiro de tristezas infinitas.
- Minha vida é feita de piadas doentias.
O público riu, mas ele estava falando a verdade.
 De repente, em sua cabeça, vozes começaram a afirmar a sua fala através de comentários negativos, notícias mortíferas e visões de ignorância em massa. Um telão desceu e ele pode ver tudo o que passava em sua cabeça, agora em alta definição e com um áudio claro, porque a tecnologia nos trouxe a possibilidade de martirização ao extremo, nem precisamos mais tanto da nossa imaginação para isso...
 Durante o filme de coisas ruins ele viu imagens de pessoas que amava, mas não conseguiu diferenciar mais quais eram memórias boas, difíceis e aquelas que eram só expectativa e fruto de sonhos e vontades distantes.
  Com o passar dos acontecimentos mais recentes ele se sentiu novamente preso aquilo que antes o segurava. Ao derramar a primeira lágrima o público ofegou em surpresa e, quando pararam, as imagens de choros compulsivos dele mesmo durante várias horas no dia o fizeram cair em prantos. Em imagens reais, estava ali todos os problemas que ele não conseguia explicar.
  As luzes se apagaram, um holofote azul negro iluminava agora um corpo sem vontades deitado, sozinho, em um palco gigante com toda a plateia ali. Por alguns minutos ele se virou e tentou olhar na escuridão o rosto dos que acompanhavam sua tragédia, mas não enxergou nada além do que parecia um infinito de tudo aquilo que ele sentia.
 - Atenção - anunciou o narrador - estamos indo agora para a fase do desespero.
 Entrou, então, uma moça rodeada de luzes amarelas. O público lembra dela por ter sido alguém recorrente nas memórias do rapaz.
 Ela, de vestido longo, senta ao lado dele e começa a acariciar seus cabelos.
- Você não deveria chorar. Outras pessoas sofrem tão mais...
 Um soluço saiu das profundezas do peito dele e o choro, que antes tinha voz, agora tornou-se silencioso e, por algum motivo, mais agoniante.
- Você não deveria se sentir mal. Não sabe que as coisas só chegam se você correr atrás? - perguntou ela com o tom delicado.
- Porque você está me ignorando? Não vê que eu estou magoada?
 Ele não estava ignorando. Só que seus membros de repente pareceram pesados demais para movimentar. A pressão então deitou ao seu lado e olhou nos olhos sem cor do que agora não era mais nada.
 - Estou decepcionada. Você me decepciona.
Ele sabia. Enquanto ela o olhava, ele pode ver todas as pessoas que já o decepcionaram ou que ele havia decepcionado. As vozes se repetiram em sua cabeça: "não faça isso", "você me magoa", "você só traz decepção", "isso não vai levar você a canto nenhum"... Antes que pudesse absolver tudo, uma luz verde trouxe um rapaz de olhos e cabelos negros ao palco, que debruçou-se no personagem e o agarrou com força.
- Atenção - repetiu o narrador - nosso personagem está morrendo lentamente. Vocês podem ver? A falta de brilho nos olhos e o choro incontrolável e nada reconfortante estão claros agora.
 Após o mestre da história falar, o menino de verde se pronunciou:
- Nós estamos sozinhos aqui. Você consegue enxergar alguém? - questionou ele, choramingando.
 Não, ele não via ninguém. Via seu reflexo na escuridão dos olhos de sentimentos que já não conseguia controlar. A solidão começou a chorar.
- Estou aqui com você, agora não precisa mais se preocupar - o sentimento disse, o apertando com tanta força que o rapaz começou a ficar sem ar.
  Agoniado com a pressão e a solidão, ele começou a se debater para sair daquele abraço sufocante... não conseguiu. O que lhe restou foi sentar-se, encarando o amarelo e deixando que o verde lhe apertasse. Tentou recuperar seu fôlego aos poucos, porém não era fácil. A cada tentativa seu cérebro o lembrava de todas as vezes em que esteve sozinho no meio de tantos. Ele jogou sua cabeça para cima e, de lá, desceu uma moça de olhos vermelhos e auréola negra. Ela não era um anjo, porém sentou graciosamente no colo do rapaz, o abraçou com força e escondeu seu rosto do pescoço dele.
- Eu tenho medo do escuro. - ela sussurrou em seu ouvido.
 Com a voz mais baixa, o narrador entrou com sua fala:
- Agora veremos o medo transformar tudo em um filme de terror. Ela é linda, não é? - perguntou ele, se referindo a moça de olhos flamejantes.
- Eu só queria que tudo isso acabasse. Você não? - perguntou ela, após o silêncio da narração.
 O rapaz começou, lentamente, a passar os braços ao redor do verde. Ele não queria abraçar o medo. A solidão, agora, até parecia um lugar reconfortante... mas a moça fez ele a encarar. Na auréola, ele viu todas as decisões que tomou injustamente, todas as vezes que ele ignorou vontades empáticas. Mostrou a ele seus amigos indo embora, mostrou a moça - que parece pressão - chorando sozinha no quarto. Viu, pasmo, todas as vezes que negou o rapaz que parecia a solidão, mesmo depois de tudo. Viu a pequena que agora parecia o medo pedindo desesperadamente para que ele não fosse embora. Viu sua morte e viu os seus pesadelos... As pessoas de sua vida agora não passavam de sentimentos ruins.
- Não vão sentir nossa falta. Ninguém vai se importar. - ela falou novamente, deixando que a pressão se aproximasse ainda mais. - Nada disso importa.
 Um grande holofote então se acendeu revelando uma mesa com uma faca, uma caneta e um papel. Lentamente, as emoções ajudaram o rapaz a se levantar e o carregaram com dificuldades. A pressão pegou a lâmina enquanto o medo usava a mão do personagem quase como a de um fantoche. Ela rabiscou alguma coisa e deixou o bilhete cair. A solidão, sempre companheira, segurou a mão do rapaz e fixou seus negros olhos nos daquele grande nada. A pressão pegou a outra mão e, juntamente com a mulher de olhos vermelhos, elas o usaram para cortar as veias do pulso de um moribundo.
 O narrador, calado há algum tempo, retornou para explicar:
- Vejam bem, nessa fase a única coisa que resta é a saída mais fácil. Agora eles irão sumir.
Instantaneamente o palco se apagou. Quando a luz voltou lentamente, havia apenas ele em frente a um espelho. A imagem refletida, no entanto, não era ele e sim seu ponto de vista de todas as histórias. Era a esperança que começou a derreter-se lentamente com o sangue que estava saindo dos pulsos dele.
As imagens apareciam. As risadas dela, as vezes que ele se contentou em ser feliz sozinho. As pequenas flores que ele pegava todo dia ao caminhar por achar a cor de um tom único; os sonhos e expectativas que ele, em momentos de paz, pensou em viver. Todas as coisas perdidas agora... O medo apareceu ao lado dele, mas nada fez, apenas assistiu enquanto o jovem colocava a mão na superfície refletora e era sugado, lentamente, por ela. Todas aquelas coisas agora pareciam ter mais significado.
 Quando ele sumiu no espelho, as luzes se apagaram.
Com a visão mais clara o público viu apenas o corpo de um ninguém no chão. Agora se podiam ver as paredes claras de uma casa cheia de memórias. Ouviu-se um telefone tocar... Ametista, a moça que antes parecia a pressão, entrou e começou a chorar.
Ela se ajoelhou ao lado dele, como antes tinha feito, e chorou a perda da pessoa que amava. Ela não entendia.
 Ao olhar para o lado enxergou o bilhete onde um pedido de desculpas manchado em lágrimas era mantido na eternidade sem deixar muitas explicações.



       

O amor não é algo racional.
 Nós éramos a mesma coisa, mas é interessante como nossa cabeça funciona: as decepções chegam e vamos, aos poucos, percebendo que o amor não é mais amor e sim obediência. É falta de reciprocidade. De repente achamos que o amor é só mais um sofrimento aqui e ali e que temos que aguentar, afinal, não é o amor que move o mundo?
 É, acho que algo estava errado.
 Eu comecei a me doer, você começou a sumir. Começamos a nos estranhar e a aguentar, porque nós éramos a mesma pessoa...
 Aí eu descobri que nós éramos a mesma coisa só na minha cabeça. Afinal de contas, sua opinião era a única que contava. Imagine então a minha surpresa quando eu descobri qual era a sua opinião...
 A questão é que nós não somos a mesma pessoa.
 Eu jamais iria aguentar calada o pouco caso ou abaixar a minha cabeça para alguém tão baixo quanto o próprio chão. Eu não iria voltar a dor por achar que nós éramos a mesma pessoa, pois eu não quero ser igual a você.
 Eu, depois de tantas quedas, sei o que é o amor. Eu sei que amo você... mas não era recíproco. E hoje eu sei porque já senti o gosto de sentir tudo sozinha. Você não sabe amar. 
 Hoje o meu amor me faz querer vomitar toda vez que ouço sua voz. Não consigo me lembrar de nada sem pensar em quantas mentiras você prometeu não contar e simplesmente não cumpriu o que disse. A sua risada me faz lembrar de todas as vezes que pensei não estar sozinha e me descobri enganada por uma ilusão que eu mesma criei. Porque achei que nós éramos a mesma pessoa.
 Descobri, com o passar da minha solidão, que até ela costuma ser mais parceira que pessoas com um coração de borracha. A solidão não mente para você...
 Talvez algum dia eu olhe para trás e pense em quão primitivo essas palavras são. Talvez eu bata na sua porta e te diga tudo o que quero, finalmente, pois sai da sua vida e te deixei no escuro. Não quero que você saiba o que eu sinto, mas eu preciso que você saiba que eu te amo tanto que cheguei a te odiar. 


Olá, meus queridos!
Hoje eu vim falar de uma série que existe a pouco tempo mas já conquistou o coração de todos maconheiros  desse mundão de Jah!


Importante começar por aqui falando que essa resenha não tem qualquer intenção de incentivar ninguém a fazer nada, estou apenas dissertando sobre uma série muito interessante da Netflix que deveria ser assistida por todos, pois preconceito não leva ninguém a nada <3
Bem, vamos começar pela sinopse: 
Uma mulher (Kathy Bates) sempre lutou pela legalização da maconha. Atualmente, ela é dona de uma loja que vende maconha medicinal. Mas no lugar, seus funcionários, que inclui seu filho, trabalham pouco e fumam muito.
 Basicamente, essa atriz maravilhosa vive a história de Ruth, uma ativista estadunidense que sempre lutou pela legalização da cannabis. A série se passa com o cotidiano dentro da loja, onde a senhora sofre muitos preconceitos de lojistas locais, das autoridades e, com dificuldades, consegue administrar junto ao seu filho e seus funcionários o "Caminho Alternativo da Ruth".
A série se concentra nos tipos de usuários da erva e também na vida de cada um dos funcionários da loja e mostra como, na maioria das vezes, a estupidez vem de cada um e não da planta. Apesar de liberal nesse sentido, a personagem principal apresenta algumas ideias retrógradas que são desconstruídas com o passar dos episódios.- e outras nem tanto.  Vemos também - em delírios representados por animações maravilhosas - o trauma do segurança vivido na tela por Tone Bell, que acabou de voltar de sua missão com o exército e sente as consequências pesadas de sua ida. Outro ponto interessante que é pontuado na série são os preconceitos e racismos.
 Vemos o preconceito de pessoas que, por conta do seu próprio conservadorismo não são a favor da erva e há também a questão dentro da comunidade de usuários, onde se destacam os personagens Dank e Debby, caracterizados por "stoners" (usuários constantes de cannabis). Eles são os clientes vip da loja, porém a personagem principal não gosta deles e constantemente os define como a razão para as pessoas odiarem tanto a maconha. 
 Outro personagem que eu achei muito interessante é o agricultor das plantas da loja. Um rapaz que cresceu em uma comunidade alternativa e que se mostra de uma generosidade e de um coração de criança lindo. Com o passar da série podemos perceber que até ele tem alguns problemas, tornando-o ainda mais querido.
 Eu fui olhar alguns reviews da série e muitos falam que o enredo é confuso e ficou um pouco pesado para uma série de comédia, mas acredito que a intenção de Chuck Lorre (criador também de The Big Bang Theory e Two and A Half Man) era justamente essa: abordar questões dramáticas com um pequeno toque de humor. 
 Além de personagens interessantes - e que me deixaram ansiosa para ver as mudanças da próxima temporada - a série também traz imagens engraçadas de filmes antigos, a gravação de "vídeos no youtube" da loja, onde eles explicam variedades da planta e interlúdios com cenas engraçadas como pessoas comendo besteira e viajando... No fim das contas ela é quase interativa. Divirtam-se!



Nota da autora do blog: eu vi alguns artigos muito bons e decidi traduzir alguns de vez em quando para vocês. Esse, em especial, eu gostei muito, mas gerou muita polêmica quando foi escrito por comparar Lana e Morrissey. Antes de qualquer discurso de ódio, lembrem-se que música e gosto é algo para todos, não julgue e boa leitura!
Tradução e revisão: Isabela Gomes
Correção: Pedro Américo Castanheira

É difícil, agora, imaginar o quão surpreendente foi quando Morrissey se mudou de Dublin para Los Angeles em 1996. “Uma cidade de bronze indisciplinada e melodramática, de torso duro como pedra, piscinas, grandes carros, estrelas de Hollywood e rappers gangsters”, um jornal impresso britânico escreveu “Parece dificilmente adequado à um artista tímido, livre, afiado e quintessencialmente inglês”. Mas entrando em La La Land ele foi, vivendo em um estilo mediterrâneo com uma mansão em Hollywood Hills construída por Clark Gable e depois pertencente a F. Scott Fitzgerald. Quando Moz lançou em 2004 o brilhante “You are the Quarry”, ele foi entrevistado ao lado de uma piscina em Beverly Hills, se você pode acreditar nisso.



Outra estrela de Los Angeles aparentemente mais em casa com piscinas, grandes carros e estrelas de Hollywood, a cantora Lana Del Rey, de New York, divide mais que apenas uma mudança de cenário com o ícone de The Smiths. Está lá na melancolia, nas armadilhas vintage e na efervescente cultura da personalidade, alimentado pela provocação. Está lá no envolvimento do estilo como uma forma de substância: ela pode ser Brit Lit e ele pode ser meta. Como o Ken Tucker da NPR³ falou uma vez “Ela é o Morrissey com uma raba melhor.

Há cinco anos atrás, um vídeo chamado “This Charming Video Game” deu umas voltas pela internet. Um mashup entre o hit do YouTube de 2011 de Del Rey, “Video Game” e do clássico  jangle-pop de The Smiths de 1983 “This Chaming Man”. Não foi exatamente uma "ideia de gênio", mas conceitualmente, chegou bem perto. Não que a estetização da tristeza que eles compartilham fosse tão clara na época, com o exagero precoce e subsequente retrocesso ao redor da tão chamada inautenticidade de Del Rey dominando a conversa.

O desafio de Lana era provar que a construção de seu mundo tinha um significado deliberado para ela como um avatar glamouroso e melancólico. Morrissey teve o problema quase contrário quando The Smiths emergiram como heróis sombrios.

Apesar do frontman com o cabelo estranho não ter nenhuma necessidade médica para aqueles gigantes óculos do Serviço de Saúde Nacional, sua apresentação de forma irregular, “clumsy-and-shy” foi tratada abertamente como algo completamente sincero, quando sua exaltação extrema fez parte da sensibilidade de Moz o tempo inteiro.

Diferente de outros roqueiros clássicos, com o seu machismo aborrecido e sua auto seriedade, Moz sabia da importância de não ser sincero as vezes. E diferente dos Pop europeus da época, ele se revelou uma ambiguidade: Será que é real?

Com o tempo, as similaridades musicais de Del Rey e Morrissey tem crescido com mais clareza. Não, o trip-hop neblinoso e hip-hop  boom-bap de “Born to Die” lançado em 2012 não lembra as linhas intricadas da guitarra de Johnny Marr do Smiths, mas o traço sonoro de "Ultraviolence" da Lana, lançada em 2014 – as influências de grupos dos anos 60 como The Crystals, cantores pré-rock como Shirley Bassey, o estilo de Roy Orbison, passando schmaltz de Ennio Morricone – pareceu muito alinhado com o próprio Morrissey. The Smiths nasceu a partir de grupos de música femininos afinal de contas – Marr e Mozz se conectaram por conta de um Marvelettes B-Side – e Morrissey trabalhou com o já mencionado diretor e lenda Morricone em uma balada solo não-tão-diferente-de-Lana chamada “Dear God,Please Help Me”.

Não é tão estranho sair de “SadGirl” de Lana para “Heaven Knows I’m Miserable Now” do The Smiths, para “MoneyPower Glory” e então para “All You Need Is Me” do Moz. Elas emocionam, animam e transformam tracklists em atrevidos trabalhos de arte. Ela é enamorada por homens maus (e James Dean); Ele atraído aos doces e sensíveis hooligans, caras fortes e marginais (e James Dean). Morrer ao lado de uma amante – seja em “Summertime Sadness” ou “There is a Light that Never Goes Out” – iria ser uma forma divina de morrer.  

       
  
 O állbum de Del Rey de 2015, "Honeymoon", só aumentou suas semelhanças com Morrissey. É uma orquestra opulenta destacando suas auto-absortas frases com reviravoltas e curvaturas; Obviamente que Morrissey iria pensar em abrir uma música eventualmente com “Nós dois sabemos/ que não é elegante me amar” se ela não tivesse feito antes. O sabor de mundo antigo do álbum – nas letras italianas e na orquestração estilo Poderoso Chefão de “Salvatore”, ou na percussão do latim “24” – na verdade se alinhou com o estilo Europeu e com a guitarra flamenco do último álbum de Moz de 2014, "World Peace Is None Of Your Business" e quando, na faixa imersa em Jazz "Art Deco", ela implantou a nova giria 'so ghetto', ela destacou mais um ponto pouco confortável e comum entre os dois.

Até o observador mais casual de Lana ou Morrsey irá reconhecer ambos como constantes fontes de controvérsia. Com Del Rey, um pouco da indignação pode novamente ser relacionado com ela não recebendo tanto crédito por saber exatamente qual jogo está jogando quando ela canta “My pussy tastes like Pepsi Cola”, ou quando dá ao entrevistador um grande título falando “Eu queria já estar morta”. Com Moz, o erro pode ser esperar que o homem que nos assegurou ser humano e precisar de amor tratar as notícias do mundo com uma vulnerabilidade similarmente bajuladora. Em meses recentes ele direcionou um muito criticado discurso no bombardeio de Manchester, acusando a imprensa de ser injusta com o rebento francês fascista Marine Le Pen e vendeu ao James Baldwin uma camisa escrita “preto é como eu me sinto por dentro”, transformando uma letra de The Smiths em algo com um tom racista e nada musical, você poderia quase confundir o erro por uma “trolação” calculada.

 Pode parecer constantemente que LDR e Moz dividem audiências como se isso fosse o trabalho deles, ou talvez é exatamente assim como eles veem. Suas tomadas em contenciosos discursos são debatidas porque ao invés de oferecerem uma certeza moral, de um jeito ou de outro, tem um elemento de gentileza em jogo. Do já professado desinteresse de Lana no feminismo até o lamento de Moz quanto as falhas tentativas de assassinato contra Margaret Thatcher, um não pode deixar de imaginar: será essa a visão da pessoa, ou do personagem? Com esses dois, a diferença parece importar menos que a pura provocação. Como o escritor preferido de Moz, Oscar Wilde, uma vez colocou “Em questão de grave importância é o estilo, e não a sinceridade, a coisa vital”.

A maior similaridade entre Lana Del Rey e Morrissey pode não ser a tendência morosa ou o quanto ambos apreciam “He Hit Me (And It Felt Like a Kiss)”, mas sim a habilidade de ambos superiorizar suas canções e personagens, como estrelas e mitos. No trailer de “Lust for Life”, o último álbum lançado de Lana, ela vaga no H da placa de Hollywood – uma referência a Peg Entwistle, a jovem atriz que pulou para sua morte da mesma letra em 1932 e rumores dizem que ela o assombra até hoje. Você pensaria que Morrissey iria amar essa jogada, toda amarrada em uma iconografia pesada. “Eu sou um pecado vivo”, ele cantou uma vez, e isso foi bem antes de chegar a Hollywood.

         

Brit Lit: No dicionário inglês é Literatura Britânica; Literatura atual elegante.
Meta: Um termo, especificamente na arte, usado para caracterizar algo que é caracteristicamente auto referencial.
NPR: National Public Radio; Uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos e de titularidade pública do Governo dos Estados Unidos.
Schmaltz: Trabalhos artísticos, como música ou escrita, que tem a intenção de causar fortes sentimentos tristes ou românticos, mas sem qualquer real valor artístico. 
Hooligans: vândalos
Você pode encontrar o artigo original aqui.